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segunda-feira, outubro 24, 2005

Escrevinhar

Engraçado constatar que todos os escritores têm sempre a sensação que a sua escrita não vale nada. É um facto, por demais evidente. Um indivíduo até pode ter 20 ou 30 anos de carreira, com inúmeros livros editados, mas continua a pensar humildemente da mesma forma. Isso é notório no caso português. Autores como António Lobo Antunes ou Alçada Batista são casos paradigmáticos. Apesar dos créditos mais que firmados e do imenso rol de publicações, continuam com a modéstia habitual da classe literária. Não duvido que tenham pleno conhecimento das suas capacidades. No entanto, a forma como se expressam é, e será, sempre a mesma, deixando a nítida sensação de que o melhor dos seus romances ou ficções ainda está para vir e que o processo da escrita é uma constante evolução e revolução. Isto também é válido para as pessoas que, por e simplesmente, gostam de escrever, como é o meu caso. Por mais que o meu círculo de amigos diga que acha que escrevo bem, tenho jeito para a coisa, etc, eu nunca estou contente com o que escrevi.
Mas, corroborando a máxima “a excepção faz a regra”, temos uma ovelha ranhosa no panorama nacional. Falo, como já devem ter adivinhado, de José Saramago. Senhor de uma arrogância e petulância extrema, Saramago poderá ter em seu abono o facto de residir na parte errada da Península Ibérica, território conhecido pelo seu povo que tem a mania que é o maior. A sua acutilância aumentou depois de ter sido galardoado com o prémio Nobél. Reparem que eu disse Nobél acentuando propositadamente o “E” (como diz esse grande pseudo-vulto da cultura portuguesa). Não interessa que o referido prémio seja baptizado pelo nome de um senhor sueco. Na realidade, Saramago tem um conhecimento intrínseco da língua sueca, como se fosse um segundo idioma. Este senhor sabe melhor do que ninguém (aliás melhor do que os próprios suecos), qual a dicção correcta em sueco das diferentes palavras.
Escusado será dizer que não morro de amores por este escritor. Com efeito, nunca consegui ler na totalidade uma das suas obras. Até agora o melhor que consegui foi ler três páginas do Ensaio Sobre a Cegueira, mas a fluência do discurso, decididamente, não me cativa. Nem tudo o que é original tem que ser, obrigatoriamente, bom. Por outro lado, não será imperativo gostar de tudo o que é bom, para quem ache que Saramago é realmente um mestre. Mas uma coisa é certa, o homem é de um extremo mau gosto. Não chegava o facto, como já foi referido, de viver em... ARGH!... Espanha, ainda casou com uma espanhola, ou vice-versa. Um gajo à primeira cai por engano, à segunda cai porque é burro!

Capítulo@2005

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